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quarta-feira, 16 de novembro de 2011


           Desfez-se de toda a sua doçura e inocência. Abriu a janela, e a luz entrou no quarto a iluminar os restos do que ele já fora, a iluminar o invisível. Saiu deixando um corpo caído em sono profundo entre lençóis, e feras enlouquecidas palpitando em algum outro coração distante. A cada passo que dava sentia-se mais sujo, mais homem. E nada que faria dali pra frente mudaria o fato do ocorrido entre as feras naquelas horas escuras. Escuridão da noite escurecendo a alma. Feriu os olhos de sol, e transformou-se em tempestade. Sua ira se desfez em raios e relâmpagos tentando amenizar o descaso do que ele deixara para trás, mas que continuava a esperá-lo e o encontraria lá na frente, mesmo sem saber. Não, as pessoas nao entenderão a complexidade do ocorrido. Caso feito, tempo perdido, passos sujos, e o amarelo esquecido. E eu, eterna tradutora, jamais saberei se o foi esquecido por dias, semanas, ou meses… Mas e se jamais fora esquecido? O que entender do que ficou marcado ferindo a tradução dos atos impensados? 






Jaqueline Furlin



Jaqueline Furlin


terça-feira, 15 de novembro de 2011

O essencial




          E que toda a hipocrisia caia por terra; que toda mentira seja visível aos olhos; que toda lágrima caída seque para dar lugar à um sorriso; que todo Amor não seja apenas palavras que saem da boca, mas que seja sentimento que venha do coração.


Jaqueline Furlin


          Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.




Jaqueline Furlin

No dia do reencontro...


E no dia que eu te reencontrar quero segurar as suas mãos, olhas no fundo dos seus olhos e dizer: como senti sua falta nesses últimos tempos! Quero lhe dar um abraço, sentir o seu cheiro e lembrar de tudo o que me ensinou. Vou te segurar para nunca mais ir embora! Quero te contar tudo o que fiz, dos planos que tenho, vou lhe contar das paixões e pedir conselhos, afinal, os melhores conselhos vem de quem mais amamos. No dia em que você vim me ver, vou preparar um banquete e te recepcionarei com muita alegria e bom humor. No dia em que você vier, quero ter a certeza que não passou de só mais um sonho. No dia em que você vier, não vou lembrar de nenhum ressentimento e nenhuma mágoa de ti. Quero aproveitar sua vinda, mesmo que num sonho, e pedir-lhe para vir me ver mais vezes, e assim, em contrapartida, o que eu chamava de saudade, não irá mais existir...




Luana A. Del' Sent